TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

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Por: Joyce Trajano





Um fenômeno que pode ser tratado e superado




Agitação, falta de atenção, impaciência, distração, irritabilidade, ansiedade são alguns dos sintomas do transtorno que podem ser confundidos com traços da personalidade das crianças.


Mas, atenção! Nem todas as crianças que apresentam esses sintomas são portadoras do TDAH. Para que o diagnóstico ocorra de forma correta é necessário que a criança passe por uma avaliação detalhada com um especialista para avaliar o prejuízo que esses sintomas trazem para o cotidiano da criança.


Para entender o TDAH



Segundo literatura especializada e profissionais da área, o TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas (já que as crianças cujo pai ou mãe tem a condição são mais propensas a apresentá-lo), que aparece na infância e pode acompanhar o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por três grupos de alterações: hiperatividade, impulsividade e desatenção.


Geralmente, é mais comum em crianças e adolescentes (chegando a afetar cerca de 3 a 10% delas no mundo). Nos adultos (cerca de 4% da população) os sintomas se apresentam de modo diferente: é normal que os adultos com TDAH cometam maior número de infrações, se envolvam mais em acidentes de trânsito, possuam maior dificuldade em permanecer no emprego, entre outros.


Estudos científicos apontam que o cérebro das pessoas que apresentam o transtorno funciona de forma diferente, pois demora mais para amadurecer. Foi possível constatar alterações na região frontal e em suas conexões com o resto do cérebro. Isto modifica o funcionamento de um sistema de substâncias químicas (que passam a ser produzidas em menor quantidade) conhecidas como neurotransmissores - responsáveis pela transmissão de informações entre as células nervosas (neurônios).


Com a atividade cerebral funcionando de maneira desordenada, a criança tem mais dificuldade de se controlar e prestar atenção até numa simples conversa.


Hiperatividade, impulsividade e desatenção



Para entender o que essa alterações causam num portador de TDAH, é necessário saber o que cada uma delas significa.

Hiperatividade: é o aumento da atividade motora. A pessoa hiperativa é inquieta, está quase constantemente em movimento. A criança raramente consegue ficar sentada, mas se é obrigada a permanecer sentada, se revira o tempo todo, bate com os pés, mexe com as mãos, ou então acaba adormecendo. Para os adolescentes e adultos a hiperatividade costuma se mostrar de forma diferente, pois o que predomina é uma sensação interna de inquietação, ou então, eles se mostram sempre ocupados com alguma coisa, dando a impressão de estarem sempre muito atarefados, quando na verdade o que ocorre é uma dificuldade em diminuir o nível de atividade.


Impulsividade: é a deficiência no controle dos impulsos, é agir antes de pensar. Podemos entender o impulso como a resposta automática e imediata a um estímulo. No TDAH as reações tendem a ser imediatas, sem a devida reflexão. Crianças e adultos impulsivos costumam ter reações explosivas súbitas, dizendo o que vem à cabeça. Mas, caracteristicamente essa reação logo passa, se arrependem e tratam a outra pessoa como se não tivessem tido aquela reação poucos minutos antes. Isso é importante para distinguir o TDAH de outros transtornos nos quais a raiva e o ressentimento duram horas e até dias.


Desatenção: Pode aparecer de diversas formas. A pessoa não consegue manter a concentração por muito tempo, assim é capaz de perder o fio da meada durante uma conversa, sair de um lugar para outro e esquecer o que ia fazer ou pensar em dizer alguma coisa e logo em seguida já não ter a menor ideia do que ia falar. Isto acontece porque a mente da pessoa com TDAH parece que não tem “filtro”, e por isso qualquer estímulo é capaz de desviar sua atenção.


Importante destacar que estudos mais recentes vieram comprovar que, as características desse transtorno persistem na adolescência e chegam até a idade adulta, perdurando em maior ou menor grau por toda a vida da pessoa. Anteriormente, acreditava-se que os sinais de TDAH desapareciam no final da adolescência, mas o que ocorre quase sempre é que os sinais de hiperatividade e impulsividade costumam perder força com o passar dos anos. As manifestações desse problema sempre têm início na infância. Ninguém adquire o transtorno na adolescência ou fase adulta.


O diagnóstico


Não existem exames ou testes psicológicos precisos que permitam fazer um diagnóstico desse transtorno. O profissional só chega ao diagnóstico colhendo a história de vida do paciente com a ajuda dos pais. Existem algumas listas de verificação de sintomas ou escalas de avaliação que auxiliam o profissional no momento de fechar o diagnóstico.

É importante procurar um profissional na área de psiquiatria infantil, pois este possui a bagagem necessária para a realização do diagnóstico. Ele verificará se o caso que está examinando atende a determinados critérios diagnósticos que são necessários para identificar o tipo de transtorno. Esses critérios são estabelecidos pela APA (Associação Psiquiátrica Americana) ou pela OMS (Organização Mundial de Saúde).


Os critérios



A APA propõe que para diagnosticar TDAH devem estar presentes no mínimo 6 de uma lista de 9 sintomas de Desatenção e/ou 6 de uma lista de 9 sintomas de Hiperatividade e Impulsividade. São eles:


Desatenção:

1. O indivíduo deixa de prestar atenção em detalhes e comete erros por descuido em atividades escolares, no trabalho, ou em outras atividades.

2. Tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou jogos.

3. Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra.

4.Não segue instruções e não termina deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais.

5.Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.

6. Evita, antipatiza ou reluta em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante, como tarefas escolares ou deveres de casa.

7. Perde coisas necessárias para tarefas ou atividades, por exemplo, brinquedos, lápis, livros.

8. Distrai-se por estímulos alheios à tarefa.

9. Apresenta esquecimento nas atividades diárias.


Hiperatividade/Impulsividade:

1. Agita as mãos ou os pés, ou se remexe na cadeira.

2. Abandona sua cadeira na sala de aula ou em outras situações em que deveria permanecer sentado.

3. Corre ou sobe demais, de forma não apropriada. Em adolescentes e adultos pode se limitar a uma sensação subjetiva de inquietação,

4. Está “a mil” ou age como se estivesse a todo vapor.

5. Fala em demasia.

6. Dá respostas precipitadas antes de ouvir a pergunta inteira.

7. Tem dificuldade para esperar sua vez.

8. Interrompe ou se intromete em assuntos dos outros, como conversas ou brincadeiras de outras pessoas.


Lembrando que a ocorrência desses sintomas deve ser frequente, porque é fácil verificar que todas as pessoas podem apresentar uma vez ou outra na vida um ou vários dos sintomas mencionados, e não é possível dizer que todas sofram de TDAH. Além disso, esses sintomas devem existir desde a infância e causar prejuízo no funcionamento da pessoas em duas ou mais áreas de sua vida.


Também é importante destacar que o profissional da área observará outros aspectos que podem se confundir com esse transtorno como, por exemplo, situações familiares desfavoráveis que podem causar sintomas parecidos aos do TDAH numa criança.



Os comprometimentos


Hoje já se sabe que o TDAH pode trazer alguns comprometimentos para a vida de seus portadores. Abaixo listamos alguns deles:

1. Dificuldades no rendimento escolar são uma das primeiras consequências desse transtorno. Esse transtorno é considerado a principal causa de fracasso nos estudos.

2. Dificuldades de relacionamento são frequentes.

3. Apresentar baixa auto-estima.

4. Problemas profissionais, como mudanças frequentes de trabalho, demissões, nível de realização abaixo de sua capacidade, não são raros.

5. Propensão ao uso de álcool e drogas (até porque essas substâncias podem atenuar passageiramente alguns sintomas do transtorno).

6. Propensão a vários tipos de acidentes, como os de trânsito.

7. Risco maior de contrair outros transtornos como depressão, transtornos ansiosos, etc.


Comorbidades



Outros distúrbios podem estar associados (comorbidades) ao TDAH, agravando o quadro. Em crianças e adolescentes pode acontecer em mais de 50% dos casos, já nos adultos esse índice aumenta para 70% dos casos.


Tratamento



O tratamento para TDAH é uma parceria entre médico, família e criança.


Para que ele tenha eficácia é necessário que o paciente e as pessoas que a cercam entendam bem o que é o TDAH, saber como ele se apresenta, como compromete seu modo de ser e agir.


Depois, é importante que a criança receba a medicação adequada e se utilize de recursos psicoterápicos.


Vale lembrar que o tratamento, incluindo ou não medicamentos, deve ser longo o suficiente para um controle dos sintomas durante um período maior, contornando ou minimizando os problemas na vida escolar, familiar e social. Aprender certas estratégias de comportamento auxilia na administração dos sintomas do TDAH.


Embora não exista nenhuma maneira comprovada de prevenir o TDAH, quanto mais cedo for diagnóstico e iniciado o tratamento, melhores as chances de sucesso para o portador do transtorno, pois mais problemas associados a ele poderão ser evitados.



Fontes:

Associação Brasileira do Déficit de Atenção
www.tdah.org.br
www.minhavida.com.br
www.universotdah.com.br
www.dda-deficitdeatencao.com.br


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