Autismo

autismo

Por: Joyce Trajano




O que é?


O autismo é uma alteração cerebral, uma desordem que compromete o desenvolvimento psiconeurológico e afeta a capacidade do indivíduo se comunicar, compreender e falar, afetando consequentemente seu convívio social.

É um transtorno do desenvolvimento que se manifesta antes dos três anos de idade, sendo mais comum nas crianças do sexo masculino. Nem sempre o autismo vem acompanhado de retardo mental, pois existem casos de crianças que apresentam inteligência e fala intactas.

Por não ter uma causa definida, o autismo é considerado como síndrome - e está dentro do chamado Transtorno Global do Desenvolvimento, TGD, também conhecido como Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, TID. E como em qualquer síndrome pode apresentar variação no grau de comprometimento - indo do mais leve ao mais severo.


Como é o cotidiano


A vida de um autista requer muita dedicação de quem está ao seu lado - principalmente familiares. As barreiras impostas pela dificuldade na comunicação podem ser transpostas através da dedicação e do amor das pessoas que o cercam.

Muitas crianças conseguem desenvolver um nível de comunicação satisfatório. Quando adultas, são capazes de chegar ao sucesso profissional; embora sempre precisarão de apoio e estímulo para continuar a batalha por uma vida independente.

Para aumentar as chances disto acontecer, é necessário que os pais procurem auxílio em programas voltados para jovens adultos autistas bem antes dos seus filhos terminarem a escola. Dessa maneira, os pequenos poderão receber a orientação necessária para a vida adulta.

Procurar por grupos de ajuda a pais de autistas também é uma excelente opção - a troca de experiências é muito importante para a caminhada dos pais nesse mundo tão particular e, infelizmente, ainda cercado pelo preconceito.


Histórico


A palavra autismo deriva do grego “autos” que tem a ideia de “voltar-se para si mesmo”. A primeira pessoa a utilizá-la foi Eugen Bleuler - psiquiatra austríaco - para se referir a um dos critérios adotados em sua época para a realização de um diagnóstico de esquizofrenia.

Em seguida, o autismo foi classificado por Leo Karnner - psiquiatra austríaco radicado nos EUA, em 1943. Ele publicou o estudo “Autistic disturbances of affective contact”, na revista Nervous Children, onde descrevia a condição de 11 crianças consideradas especiais, que tinham em comum um isolamento extremo desde o início da vida e um desejo obsessivo pela preservação da rotina.

Hoje, existem muitos estudos e pesquisas sobre o tema, mas nenhum deles ainda foi capaz de determinar quais são as causas do autismo. Muitas são as hipóteses levantadas e algumas delas, totalmente, sem pé nem cabeça, como a que afirmava que o autismo ocorria porque os pais provocavam o extremo isolamento da criança - hipótese derrubada por Kanner, em 1969.


Autismo hoje


Em 2007, a ONU decretou o dia 2 de abril como o “Dia Mundial de Conscientização do Autismo”.

Em 2010, a ONU declarou - apoiada em estudos realizados por especialistas - que próximo de 70 milhões de pessoas no mundo são portadoras do autismo. Por conta disso, nessa mesma época a comunidade científica abriu a discussão sobre uma possível epidemia da síndrome no mundo.

No Brasil, as pesquisas sobre a epidemiologia do autismo foram iniciadas em 2011, sendo que muitas delas seguem até hoje.


Características do Autismo


Segundo a ASA - Autism Society of American – os indivíduos com autismo exibem frequentemente, pelo menos, a metade das características listadas a seguir:

- Dificuldade de relacionamento com outras pessoas;

- Riso inapropriado;

- Pouco ou nenhum contato visual;

- Aparente insensibilidade à dor - não responde adequadamente à situações de dor;

- Preferência pela solidão e modos arredios - não há procura pela companhia de outras crianças;

- Rotação de objetos;

- Inapropriada fixação em objetos;

- Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade;

- Ausência de resposta aos métodos normais de ensino;

- Insistência em repetição e resistência à mudança de rotina;

- Não demonstra real medo do perigo  - ausência da consciência de situações que envolvam perigo;

- Procedimento com poses bizarras  - fixar objeto ficando de cócoras, colocar-se de pé numa perna só, impedir a passagem por uma porta;

- Ecolalia  - repetição de palavras ou frases no lugar da linguagem normal;

- Recusa colo ou afagos;

- Age como se estivesse surdo - não responde quando é chamado;

- Dificuldade em expressar necessidades – usa o gesticular e apontar no lugar de palavras;

- Acessos de raiva  - demonstra extrema aflição sem razão aparente;

- Desorganização sensorial - hipo ou hipersensibilidade, por exemplo, auditiva;

- Não faz referência social – é capaz de entrar num lugar desconhecido sem olhar antes para o pai ou a mãe com o intuito de saber se é seguro;

- Irregular habilidade motora - pode não querer chutar uma bola, mas pode organizar blocos.


É importante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, porém a maioria dos sintomas está presente nos primeiros anos de vida da criança. A ocorrência desses sintomas também não é determinista no diagnóstico do autismo, para tal, se faz necessário acompanhamento com psicólogo ou psiquiatra.


Mitos


Um dos principais mitos sobre o autismo é o de que a criança vive num mundo totalmente particular, longe de qualquer tipo de contato com outras pessoas.

Isto não é verdade! As crianças autistas, muitas vezes, ficam quietas em seu canto, não pelo fato de não se interessarem em participar de atividades ou brincadeiras com outras crianças, mas, sim, porque na maioria das vezes elas apresentam muita dificuldade em como lidar, como se comunicar ou como interagir com o outro.

Iniciar, manter e terminar uma conversa é muito complicado para um autista, por conta do que os especialistas classificam como Cegueira Mental. Trocando em miúdos, Cegueira Mental é uma espécie de desordem cognitiva na qual um indivíduo é incapaz de atribuir estados mentais - crenças e desejos - para si mesmo e para os outros.

Outro mito bem difundido é o de pensar que o autismo está ligado a imagem de uma pessoa retardada ou que conheça poucas palavras. Em alguns casos, podem ocorrer problemas com a inteligência, mas isso não é uma regra. Muitos autistas possuem uma inteligência acima da média.

É preciso ressaltar que o autismo acomete apenas cinco entre cada dez mil nascidos, ocorrendo em famílias de todas as configurações raciais, étnicas ou sociais.


Cura


Em 2010, se falou pela primeira vez na possibilidade de cura do autismo, através de uma publicação na revista científica Cell. A publicação tratava da descoberta feita por um grupo de cientistas nos EUA - liderados pelo pesquisador brasileiro Alysson Muotri - que conseguiu “curar” um neurônio “autista” no laboratório da Universidade da Califórnia. O estudo foi baseado na Síndrome de Rett, um tipo de autismo mais severo, com maior comprometimento e com comprovada causa genética.

O que existe de concreto são diversas abordagens para o tratamento e acompanhamento do desenvolvimento do autista. Não há medicação que possa agir diretamente na causa, ou causas, do autismo – uma vez que ainda não é possível determinar quais são elas.


Tratamentos existentes


Hoje em dia, existem muitas opções de tratamento para o autismo, mas nenhuma delas terá sucesso se não houver o acompanhamento e participação da família. Listamos abaixo algumas das abordagens utilizadas para o tratamento do autismo:

- Terapia ocupacional: tem como alvo o trabalho com a habilidade motora fina - amarrar sapatos, pegar pequenos objetos, etc. - e com os problemas sensoriais da criança;

- Equoterapia: seu foco é auxiliar na percepção do outro, através do desenvolvimento de jogos sociais, mímicas, posturas corporais e gestos para iniciar e modular a interação com o outro;

- Fisioterapia: o objetivo é ajudar no alcance dos marcos motores, como caminhar, andar de bicicleta, etc.;

- Fonoaudiologia: com atividades desenvolvidas especialmente para cada indivíduo, essa terapia pode ajudar a criança a melhorar a comunicação social e o uso funcional da linguagem;

- Ludoterapia: a meta é trabalhar para facilitar a interação e o contato com os olhos;

- Medicação: Existem alguns medicamentos que podem ajudar em algumas condições existentes, como hiperatividade (TDAH) e ansiedade. Vale lembrar que não há medicação específica para os sintomas de autismo.

Famosos com traços de autismo


- Thomas Jefferson: Presidente dos Estados Unidos de 1800 a 1808.

- Albert Einstein: Foi um grande cientista. Desenvolveu as duas teorias da relatividade (a restrita e a geral).

- Vincent Van Gogh: Famoso pintor holandês.

- Bill Gates: diretor da Microsoft e inventor do Windows.


Considerações finais


Alguns avanços nas pesquisas já foram alcançados. Um exemplo disso é o fato de não se afirmar mais que a pessoa tem autismo e, sim, que ela é portadora de Transtorno do Espectro do Autismo. Essa mudança ocorreu em função da compreensão que o indivíduo apresenta alguns déficits e excessos comportamentais em diversas áreas, que variam de uma criança para outra e na mesma criança ao longo de sua vida.
Ou seja, as características observadas nas pessoas autistas também estão presentes em pessoas com desenvolvimento dito normal, o que vai variar é o grau dessa presença. Para ilustrar melhor, de acordo com essa perspectiva, podemos dizer que há pessoas com muito ou pouco peso e que há pessoas com muito ou pouco “autismo”.
Para muitos, isso pode não ter nenhum significado, mas faz uma grande diferença no olhar que é direcionado à problemática do autismo. Uma vez que ao conseguirmos compreender os diferentes tipos de autismo, podemos ajudar nas expectativas das pessoas envolvidas no trato com a criança – dos pais aos profissionais da saúde e educação – a trabalhar de forma mais adequada nas áreas específicas de desafio dos diferentes tipos de autismo existentes.

Para finalizar, ressaltamos que ao perceber algumas das características do espectro autista na criança, é importante procurar um médico – psicólogo ou psiquiatra – para que a avaliação seja feita de maneira correta.


 
Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Autismo

http://www.psicologiaeciencia.com.br/autismo-terapia

 
www.psiqweb.med.br 

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